Ativistas pró Palestina. Presidente de Israel denuncia "atos brutais" contra detidos
O Presidente israelita, Isaac Herzog, criticou este domingo os "atos brutais" contra detidos em Israel por quem acredita que "não têm quaisquer direitos humanos", após o ministro da Segurança Nacional ter divulgado imagens polémicas de humilhação a ativistas pró-Palestina.
Num discurso contundente, no qual também descreveu os colonos violentos na Cisjordânia ocupada como uma "multidão sem lei", Herzog afirmou que "é proibido abusar dos detidos, por mais desprezíveis que sejam", bem como "fazer justiça pelas próprias mãos". "Estamos expostos a atos brutais por um punhado de pessoas que acreditam que detidos, interrogados e suspeitos não têm direitos humanos", disse Herzog, num discurso no qual também condenou a violência contra cristãos e muçulmanos.
O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir (extrema direita), que divulgou na semana passada um polémico vídeo de dezenas de ativistas da flotilha Global Sumud, detidos com as mãos amarradas atrás das costas e com as cabeças no chão, criticou as declarações de Herzog.
"Um presidente que chama centenas de milhares de cidadãos do Estado de Israel bestas não merece ser presidente. Ponto final", escreveu Ben-Gvir na rede social X.
Ben-Gvir reside como colono ilegal na Cisjordânia e incita à violência neste território palestiniano.
Equanto ministro da Segurança Nacional, é ainda responsável pelo sistema prisional israelita.
Em inúmeras ocasiões, o ministro de extrema-direita defendeu a sua gestão das prisões, baseada no endurecimento das condições dos prisioneiros palestinianos, marcada por tortura, agressão sexual e privação de sono, alimentação, higiene ou medicamentos.
O vídeo divulgado por Ben-Gvir provocou uma forte condenação internacional e levou o próprio primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, a criticar estas ações.O discurso de Herzog
No seu discurso durante a cerimónia dos Prémios da Unidade de Jerusalém, Herzog afirmou que a sociedade israelita está a passar por um "terrível processo de brutalização", de "normalização" e, em alguns casos, de "orgulho na violência".
"Gostava de poder falar de unidade hoje", acrescentou Herzog.
Herzog identificou padrões de ataques contra residentes palestinianos da Cisjordânia, mas também contra símbolos do cristianismo e do islão, bem como contra pessoas detidas, interrogadas ou suspeitas de crimes.
"Estamos expostos à conduta vergonhosa e repugnante de extremistas contra cristãos e muçulmanos que vivem entre nós, como se a moralidade básica do ser humano, os mandamentos da Torá de Israel sobre o amor ao próximo que vive connosco, fossem sem sentido", lamentou. De acordo com a organização palestiniana Comissão de Resistência Contra o Muro e os Assentamentos, tropas e colonos israelitas realizaram 1.819 ataques na Cisjordânia só durante o mês de março.
Até agora, em 2026, mais de 37 palestinianos foram mortos por fogo israelita no território palestiniano ocupado, segundo a contagem da organização não-governamental israelita B`Tselem.
Atualmente, existe um clima de crescente hostilidade contra cristãos em Israel, segundo dados da organização inter-religiosa israelita Rossing Center, que documentou um aumento de 63 por cento nos episódios de assédio contra cristãos durante 2025.
Nas últimas semanas, cidadãos israelitas realizaram vários ataques contra símbolos religiosos e cristãos em Jerusalém, depois de o Governo de Benjamin Netanyahu ter impedido os católicos de celebrar o Domingo de Páscoa na parte antiga da cidade.
Além disso, durante a invasão terrestre do sul do Líbano que começou em março, vários soldados israelitas filmaram-se a profanar e vandalizar estátuas de virgens, igrejas e outros objetos relacionados com o cristianismo.
"É proibido prejudicar pessoas de outras religiões e os seus símbolos", avisou o Presidente israelita.